Nunca fui um cara muito ligado na teoria das coisas, ler sobre teses e teses sempre foi uma coisa chata, salvo em algumas excessões. O que acontece é que muitas vezes a gente se decepciona com o que lê.
A gente acaba percebendo que por mais que a teoria seja linda, a prática quase nunca chega perto do que o livro diz. Mas, o que tenho para dizer é que a teoria sempre fica mais interessante quando é discutida. Quando é debatida na verdade.
Hoje, em sala de aula, foi apresentado por uma colega a “ideologia” de Zygmunt Bauman. Não fui muito a fundo na pesquisa, ou na sinceridade… não pesquisei nada sobre o cara… o que tenho pra falar aqui é uma coisa interessante e que eu conversei com o Prof. Salatiel ao final da aula.
O tal do Bauman, um polonês, velhinho, nascido em 1925, diz em seu livro “Vida Líquida” ou “A Vida Líquida”, não me recordo agora, que o a comunicação pós moderna é líquida, pelo simples motivo de não ter mais tempo de se solidificar. O que significa é o seguinte: você lê uma notícia neste exato momento, e daqui a dez minutos essa mesma notícia já não é a mesma que você leu, terá alguma coisa nova que te fará pensar diferente, ou não, mas ela não será igual.
Interessante, mas o que temos a ver com isso? É simples. Não temos mais uma ideia sólida sobre as coisas. Apenas vemos as coisas passarem, temos a oportunidade de criar um argumento em cada “fase” da notícia, mas não conseguiremos formar uma opinião concreta, já que sempre estaremos mudando o foco da nossa atenção conforme a notícia é lida.
Está complicado? Bom, eu vou repassar o link para o grande Mestre na arte de teorias… é ele quem descomplica as coisas quando tá embolado. O prof. Salatiel, o cara que eu citei lá em cima.
O real motivo do post é o seguinte. Na briga para ver quem divulga mais informações, com exclusividade, os portais na internet começarão a colocar as notícias mal apuradas. Essa é a visão do Salatiel, a minha é o contrário. Ele acredita que um dia os portais serão “banalizados”. Eu já acredito que não. Os portais ganharam uma grande notoriedade nos últimos anos. Tudo isso se deve ao crescimento da internet de banda larga.
Mas você acha mesmo que os portais se deixariam banalizar? Divulgar informações mal apuradas apenas para dar um furo em seu concorrente? Eu acredito que isso não aconteça. Sendo assim, tudo chegará a estaca zero, e ninguém no espaço virtual terá credibilidade, não terão anunciantes, não terão o tal do capital e muito menos profissionais para assinar (ou assassinar) a informação.
E você? O que acha disso tudo?
Vai participar ou vai deixar que sua mente “beba” mais um pouco de informação apenas?
Até o próximo post…
Salatiel
3 03UTC abril 03UTC 2009
Não estou certo de que a tendência seja de banalização no jornalismo na internet. A ideia é a seguinte. A aceleração do tempo em nossa cultura, em que “tudo o que é sólido se desmancha no ar”, fenômeno examinado por caras como Z. Bauman, cria alguns problemas. O motivo é que tem coisas que requerem um tempo, uma permanência, uma duração. Como a reflexão, por exemplo. Coisas que nos são fundamentais (ou que deveriam ser). No jornalismo, ocorre que a rotina acelerada de “empacotamento” de informações prejudica o processo de apuração, que requer tempo, e isso provoca duas coisas: primeiro, maior quantidade de erros, que afetam a credibilidade do veículo e é algo que vai exigir procedimentos para evitá-los; segundo, uma demanda cada vez maior por informação aprofundada e contextualizada, com sentido, que ficará a cargo de jornalistas que pensem, não meros “embaladores” de informação (o que deve ser uma saída para os impressos, uma vez que não tem mais sentido reproduzir notícias do dia anterior). É isso. Abs.
caioscafuro
3 03UTC abril 03UTC 2009
Grande professor… sempre com colocações oportunas. Talvez eu tenha “pesado” demais e acabei colocando que o sr. acredita na banalização da informação, o que eu peço desculpas. Agora se pegarmos o embalo do mercado de trabalho futuro, veremos que uma possível tendencia é que o repórter assuma diversas posições dentro das redações, e depois isso acabará tomando um rumo inverso. Todos os cargos que foram extintos, como o Copydesk e o Checador, terão que ser colocados no expediente novamente.
Parafraseando alguém que não me lembro quem: “Não sei como será a 3ª Guerra Mundial, mas a 4ª com certeza será a pau e pedra”.